“Dosado”, o ciúme é tempero
que à afeição da mais sabor…
Mas, levado ao exagero,
é o pior veneno do amor…

Cão de guarda, ameaçador,
a rosnar, furioso e cego
eis afinal, meu amor,
este ciúme que carrego…

Do amor e da desconfiança
infeliz casal sem lar,
nasceu o ciúme, – essa criança
tão difícil de educar…

Perigoso, onipotente,
verdadeiro ditador…
o ciúme é um cego, doente,
ou um doente, cego de amor?

Eis como o ciúme defino:
mal que faz mal sem alarde
corte de alma, muito fino,
que não se vê… mas como arde!

O ciúme, desajustado,
por louco amor concebido,
era uma amante, (coitado)
a padecer… de marido!”

J. G. de Araújo Jorge

Anúncios